Washington, D.C., 9 de julho de 2026 (OPAS) – Quinze dias após os terremotos que atingiram a Venezuela, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) assinalou que, embora o aumento inicial dos casos de trauma tenha começado a se estabilizar, a resposta sanitária está entrando em uma nova fase voltada à estabilização, a continuidade da atenção e a recuperação precoce.
“Quase duas semanas depois, nossa mensagem é clara: a resposta à emergência continua e as necessidades das comunidades afetadas seguem sendo urgentes”, afirmou o diretor da OPAS, Jarbas Barbosa, durante uma coletiva de imprensa.
Segundo dados oficiais, até 8 de julho os terremotos haviam causado 3.811 mortes e deixado 16.740 pessoas feridas. As autoridades também informaram que mais de 6,4 mil pessoas foram resgatadas com vida.
Desde as primeiras horas após o desastre, a OPAS vem trabalhando em conjunto com autoridades sanitárias da Venezuela, agências das Nações Unidas e parceiros humanitários para coordenar e fortalecer a resposta em saúde. Graças à sua presença permanente no país, a Organização mobilizou apoio técnico especializado, suprimentos médicos de emergência e cooperação internacional para apoiar a resposta das autoridades nacionais.
“Nosso apoio tem se concentrado em três prioridades imediatas: salvar vidas, manter a continuidade dos serviços essenciais de saúde e prevenir riscos adicionais à saúde nas próximas semanas”, declarou Barbosa.
Para fortalecer os serviços de saúde nas áreas mais afetadas pelos terremotos, a OPAS apoiou o envio de Equipes Médicas de Emergência (EMT, na sigla em inglês) e especialistas em emergências. Atualmente, 12 equipes estão em operação, contribuindo para ampliar o acesso ao atendimento de urgência, cirurgias, atenção primária à saúde e serviços de saúde mental nas áreas mais atingidas.
A OPAS também entregou seis toneladas métricas de insumos médicos de emergência provenientes de sua Reserva Estratégica no Panamá e facilitou apoio à vacinação, contribuindo para proteger as populações afetadas e manter os serviços essenciais de saúde.
“A coordenação entre autoridades de saúde, equipes de resposta e parceiros humanitários é essencial para aproveitar ao máximo os recursos disponíveis e garantir que a assistência chegue de forma oportuna àqueles que mais necessitam. A OPAS estabeleceu mecanismos de coordenação para fortalecer esse trabalho e contribuir para uma resposta sanitária mais eficaz”, afirmou Barbosa.
À medida que a emergência evolui, a atenção se concentra cada vez mais em garantir a continuidade da atenção, ao mesmo tempo em que são lançadas as bases para a recuperação.
Os hospitais continuam funcionando apesar dos danos estruturais, das limitações em sua capacidade cirúrgica e diagnóstica e do crescente acúmulo de procedimentos pendentes. Mais de 17 mil pessoas continuam deslocadas, a maioria alojada em 87 acampamentos provisórios, onde o acesso à atenção primária à saúde, à água potável, ao saneamento, à vacinação e à vigilância epidemiológica será fundamental para prevenir novas doenças.
“A prioridade agora não é apenas manter os estabelecimentos de saúde abertos, mas garantir acesso seguro e oportuno aos serviços essenciais de saúde, incluindo atendimento de urgência e traumatologia, cuidados intensivos, serviços de diagnóstico por imagem, oxigênio, medicamentos essenciais e outros serviços críticos”, destacou Barbosa.
A OPAS advertiu que as principais preocupações de saúde pública nas próximas semanas provavelmente estarão relacionadas às interrupções nos serviços de saúde, às condições de superlotação, às deficiências no acesso à água e ao saneamento e à redução do acesso à vacinação e à atenção de rotina.
Manter a vacinação, garantir o acesso à água potável e ao saneamento e assegurar a continuidade da atenção para pessoas com doenças crônicas, gestantes, idosos, crianças, pessoas com deficiência e aquelas que necessitam de reabilitação continuará sendo fundamental.
“A saúde mental também é uma prioridade urgente. Depois de uma tragédia dessa magnitude, tratar as lesões físicas não é suficiente. Milhares de pessoas sofreram perdas, deslocamento e incerteza. Profissionais de saúde também suportam uma carga emocional considerável. Apoiar seu bem-estar psicológico é tão importante quanto tratar as lesões físicas”, afirmou o diretor da OPAS.
Barbosa também prestou homenagem aos profissionais de saúde venezuelanos, muitos dos quais continuaram atendendo à população enquanto enfrentam perdas pessoais e deslocamento em decorrência dos terremotos. “Aos profissionais de saúde da Venezuela, quero dizer obrigado. Seu profissionalismo, coragem e compromisso continuam fazendo diferença na vida das pessoas afetadas por esta emergência”, declarou.
A OPAS também está apoiando o manejo seguro e digno das pessoas falecidas, um componente importante da resposta humanitária e do apoio às famílias afetadas. No entanto, do ponto de vista da saúde pública, os maiores riscos após um terremoto costumam estar relacionados às interrupções na prestação de serviços de saúde e no acesso à água potável, ao saneamento, à higiene e à vacinação.
Com vistas aos próximos meses, a OPAS ressaltou a importância de avançar na recuperação sem descuidar da resposta de emergência.
“A recuperação não pode se limitar a retornar à situação anterior. Deve ser uma oportunidade para reconstruir serviços de saúde mais fortes, seguros, resilientes e mais bem preparados para futuras emergências”, afirmou Barbosa.
Para apoiar esses esforços, a OPAS lançou um chamado para campanha emergencial de mobilização de US$ 24 milhões destinados a responder às necessidades de saúde mais urgentes até o final deste ano. Os recursos permitirão manter os serviços essenciais de saúde, fortalecer a vigilância epidemiológica, ampliar o apoio em saúde mental e psicossocial, apoiar a reabilitação e recuperar a funcionalidade dos estabelecimentos de saúde afetados.
“A comunidade internacional ajudou a salvar vidas durante os primeiros dias após os terremotos. Essa solidariedade deve continuar. Contar com financiamento oportuno e flexível é fundamental. Isso permite que a OPAS e seus parceiros respondam onde as necessidades são maiores e se adaptem à medida que a situação evolui”, afirmou Barbosa.
“Nenhuma instituição pode responder sozinha a uma emergência dessa magnitude. A OPAS mantém seu firme compromisso de apoiar as autoridades venezuelanas e seus parceiros durante a resposta emergencial e a recuperação. Nossa prioridade continua clara: salvar vidas, proteger a saúde e acompanhar as pessoas e comunidades afetadas em sua recuperação, fortalecendo os serviços de saúde de que necessitam hoje e no futuro”, concluiu.
