O consumo de álcool representa um desafio para o desenvolvimento social e econômico de muitos países, incluindo os das Américas. Os níveis de consumo na região são aproximadamente 40% superiores à média global e caracterizam-se por padrões de consumo particularmente arriscados.
O álcool contribui para mais de 200 doenças e distúrbios, incluindo vários tipos de câncer, doenças cardiovasculares, doenças hepáticas, transtornos mentais e lesões. Também está associado a consequências sociais significativas, como violência interpessoal e doméstica, acidentes de trânsito, perda de produtividade e altos custos econômicos para os sistemas de saúde e para a sociedade.
Nas Américas, além dos altos níveis de consumo, observam-se padrões de consumo mais arriscados, como o consumo excessivo episódico (binge drinking), que aumenta consideravelmente o risco de lesões, doenças e morte prematura.
- Em todo o mundo, 3 milhões de mortes por ano resultam do uso nocivo do álcool, representando 5,3% de todas as mortes.
- O uso nocivo de álcool é um fator causal para mais de 200 doenças e lesões.
- Em geral, 5,1% da carga mundial de doenças e lesões são atribuídas ao consumo de álcool, conforme calculado em termos de Anos de Vida Perdidos Ajustados por Incapacidade (DALY, sigla em inglês).
- O consumo de álcool causa morte e incapacidade relativamente cedo na vida. Na faixa etária de 20 a 39 anos, aproximadamente 13,5% do total de mortes são atribuíveis ao álcool.
- Existe uma relação causal entre o uso nocivo do álcool e uma série de transtornos mentais e comportamentais, além de doenças não transmissíveis e lesões.
- Foram estabelecidas recentemente relações causais entre o consumo nocivo do álcool e a incidência de doenças infecciosas, tais como tuberculose e HIV/aids.
- Além das consequências para a saúde, o uso nocivo do álcool provoca perdas sociais e econômicas significativas para os indivíduos e para a sociedade em geral.
O álcool é um fator de risco para mais de 200 doenças e problemas de saúde, incluindo câncer, doenças cardiovasculares, doenças hepáticas, transtornos mentais e lesões. A maioria das mortes relacionadas ao álcool deve-se a doenças não transmissíveis, como câncer, doenças cardiovasculares e doenças hepáticas, além de lesões e violência.
O impacto do álcool afeta todos os países da região. Em geral, quanto menor o nível de desenvolvimento de um país, maior a carga relativa de doenças atribuíveis ao álcool. No entanto, em países com maior consumo, a carga de doenças e lesões relacionadas ao álcool é maior.
A Região das Américas apresenta um dos maiores níveis de consumo de álcool do mundo, ficando atrás apenas da Região Europeia. Se políticas públicas mais eficazes não forem implementadas, espera-se que o consumo e os danos associados continuem aumentando em diversos países.
Saiba mais sobre o impacto do uso de álcool em diferentes aspectos da saúde na série de folhas informativas sobre Álcool e Saúde.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) oferece liderança técnica e cooperação aos Estados-Membros para fortalecer políticas públicas voltadas à redução dos danos relacionados ao álcool.
A OPAS gera e dissemina evidências científicas sobre o álcool e seus impactos na saúde, promove políticas e intervenções baseadas em evidências e apoia os países no monitoramento dos níveis e padrões de consumo, bem como da carga de doenças associada. Entre as diversas substâncias psicoativas consumidas na região, o álcool é um dos principais fatores de risco para a carga de doenças, especialmente em relação a doenças não transmissíveis, lesões e transtornos mentais. O trabalho da OPAS está inserido no Plano de Ação Global sobre Álcool 2022-2030, que orienta as ações dos países para prevenir e reduzir os danos relacionados ao álcool.
A OPAS trabalha com os países para fortalecer a concepção, a implementação e a avaliação de políticas eficazes voltadas à redução dos danos relacionados ao álcool. Em particular, promove a implementação do pacote técnico SAFER, uma iniciativa da Organização Mundial da Saúde que reúne cinco intervenções custo-efetivas para prevenir e reduzir os danos relacionados ao álcool:
- Aumento dos preços do álcool por meio de políticas de tributação e precificação.
- Fortalecimento das restrições à disponibilidade de álcool.
- Aplicação de restrições à publicidade, promoção e patrocínio de bebidas alcoólicas.
- Facilitação do acesso a intervenções breves e tratamento.
- Implementação e fortalecimento de medidas contra a condução sob o efeito do álcool.
A Organização também apoia os países no fortalecimento dos sistemas de vigilância, na geração de informações estratégicas para a tomada de decisões e no desenvolvimento de capacidades técnicas para a formulação e implementação de políticas públicas eficazes. Os temas transversais prioritários incluem gênero, direitos humanos, promoção da saúde e serviços de atenção primária à saúde.
