polio 26 anos24 de outubro de 2017 – Nesta terça-feira (24), Dia Mundial da Pólio, as Américas comemoram 26 anos de eliminação da doença no continente. Atualmente, o poliovírus circula em apenas três países – Paquistão, Nigéria e Afeganistão –, onde afeta um número reduzido de crianças. Mas essa situação pode mudar rapidamente se a erradicação não for global, considerando que a doença tem um grande potencial epidêmico.

A pólio afeta principalmente menores de cinco anos de idade. Apesar de não haver cura, é possível evitá-la por meio da vacinação. Neste ano, apenas 12 casos de poliomielite foram relatados no mundo. Esse cenário apresenta à comunidade global a oportunidade de erradicar pela segunda vez na história uma doença humana (a primeira foi a varíola).

O programa global de erradicação da poliomielite teve início com uma resolução aprovada na Assembleia Mundial da Saúde de 1988. Desde então, os países têm demonstrado progressos – entre eles, a interrupção de casos de infecção pelo poliovírus selvagem tipo 2 desde 1999 e, a partir de novembro de 2012, de casos de infecção pelo poliovírus selvagem tipo 3.

Em 2015, também na Assembleia Mundial da Saúde, houve outro marco: autoridades de saúde de 194 países, entre eles o Brasil, endossaram uma resolução com novos acordos para erradicar globalmente a doença, bem como evitar a reintrodução do poliovírus selvagem, tarefas que só podem ser alcançadas por meio de um compromisso global.

A estratégia de pós-certificação da pólio é abrangente e está sendo desenvolvida para definir os padrões técnicos necessários para manter todo o mundo livre da doença após a certificação global da erradicação do poliovírus. A elaboração dessa estratégia teve início neste ano por meio da Iniciativa Global de Erradicação da Pólio (GPEI), com consultas junto a parceiros globais e regionais, especialistas científicos, doadores e outras partes interessadas.

Em julho, o Grupo Técnico Assessor de Imunização para a Região definiu as recomendações para a fase final da erradicação da poliomielite, entre elas: assegurar uma cobertura igual ou maior do que 95% com três doses de vacina a nível nacional e em todos os municípios, com o objetivo de manter uma imunidade suficiente para que a Região permaneça livre da poliomielite. O Grupo também ressaltou aos países a necessidade de garantir a capacidade de detecção e resposta a casos importados de poliomielite, particularmente pedindo que os países cumpras as normas de vigilância de paralisia flácida aguda.

Em dezembro de 2017, a estratégia será debatida na reunião Polio Oversight Board e, em 2018, revisada pelo Conselho Executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Assembleia Mundial da Saúde.

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Sobre a doença
A poliomielite é uma doença altamente infecciosa causada por um vírus, que invade o sistema nervoso e pode causar paralisia total em questão de horas. A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, principalmente através da via fecal-oral ou, menos frequentemente, por um meio comum (por exemplo, água contaminada ou alimento).

Os sintomas iniciais são febre, fadiga, dor de cabeça, vômitos, rigidez no pescoço e dor nos membros. Uma em cada 200 infecções leva a um estado de paralisia irreversível (geralmente nas pernas). Entre os paralisados, de 5% a 10% morrem quando seus músculos respiratórios se tornam imobilizados.