A Região superou os níveis de vacinação de rotina anteriores à pandemia, mas as lacunas de imunidade continuam favorecendo os surtos de sarampo, especialmente entre comunidades não vacinadas ou com cobertura vacinal insuficiente. No Brasil, coberturas vacinais seguem melhorando e número de crianças zero-dose vem caindo ano a ano.
Washington, D.C./Brasília, 15 de julho de 2026 (OPAS) – A vacinação infantil nas Américas continuou se recuperando em 2025, com uma redução no número de crianças menores de um ano não vacinadas, que passou de 1,3 milhão para 1,1 milhão. No entanto, a queda da cobertura vacinal contra o sarampo está deixando as comunidades cada vez mais vulneráveis a surtos, segundo as mais recentes estimativas da OMS e do UNICEF sobre a Cobertura Nacional de Imunização (WUENIC).
Os avanços no fortalecimento dos programas de imunização de rotina na Região continuam. A cobertura da primeira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP1) alcançou 92%, enquanto a cobertura da terceira dose (DTP3) manteve-se em 86%, confirmando que as Américas não apenas se recuperaram dos retrocessos causados pela pandemia, mas também superaram os níveis de vacinação de rotina registrados antes dela.
“As Américas demonstraram que o progresso é possível. Os países fortaleceram seus programas de imunização de rotina, reduziram o número de crianças que não recebem vacinas que salvam vidas e continuam liderando globalmente em áreas chave, como a vacinação contra o HPV. Mas o ressurgimento do sarampo é um alerta de que não podemos dar essas conquistas como garantidas”, afirmou Jarbas Barbosa, diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
O Brasil vem melhorando a cobertura vacinal ano após ano, ao mesmo tempo em que reduz o número de crianças zero-dose. Em 2023, havia 360 mil crianças zero-dose no país – que não haviam recebido a DTP1, administrada no Brasil por meio da vacina pentavalente. Esse número caiu para 255 mil em 2024 e para 50 mil em 2025.
A melhora dos dados de 2024 para 2025 é explicada principalmente por dois fatores: o aumento da cobertura vacinal – com mais crianças sendo vacinadas em todo o país – e os aprimoramentos no sistema público de registro e divulgação sobre vacinação do Brasil, que resultaram em dados mais precisos e completos.
Persistem os desafios na cobertura vacinal contra o sarampo
A cobertura vacinal contra o sarampo, que havia aumentado em 2024, registrou uma queda em 2025. Desde 2024, a cobertura da primeira dose da vacina contendo o componente contra o sarampo (MCV1) diminuiu de 89% para 88%, enquanto a cobertura da segunda dose (MCV2) caiu de 79% para 78%, ambas muito abaixo dos 95% necessários para prevenir surtos dessa doença altamente contagiosa.
As estimativas também revelam diferenças marcantes na cobertura vacinal, tanto entre os países quanto dentro deles. Enquanto alguns países têm alcançado e mantido coberturas de vacinação contra o sarampo superiores a 90%, outros permanecem muito abaixo desse patamar, refletindo desigualdades geográficas e socioeconômicas persistentes no acesso aos serviços de imunização.
Vários países da Região continuam respondendo a surtos de sarampo, a maioria dos quais ocorreu entre pessoas não vacinadas ou que não haviam recebido as duas doses recomendadas. Esses surtos evidenciam a rapidez com que o sarampo pode se disseminar quando persistem lacunas de imunidade e reforçam a importância de continuar investindo na manutenção de altas coberturas vacinais, no fortalecimento dos sistemas de vigilância e na garantia de uma resposta rápida aos surtos.
“Enquanto o sarampo continuar circulando em qualquer parte do mundo, nenhum país ou comunidade pode se dar ao luxo de baixar a guarda. A vacinação é nossa melhor proteção, e devemos continuar trabalhando para alcançar todas as crianças, fechar as lacunas de imunidade e manter os altos níveis de cobertura necessários para prevenir surtos”, acrescentou Jarbas Barbosa.
O sarampo é uma das doenças mais contagiosas do mundo. Mesmo pequenos grupos populacionais com cobertura vacinal insuficiente podem permitir a continuidade da transmissão e favorecer o surgimento de surtos. Alcançar e manter uma cobertura de pelo menos 95% com duas doses de uma vacina contendo o componente contra o sarampo, em todas as comunidades, continua sendo essencial para interromper a transmissão e proteger as populações mais vulneráveis.
Líder global em vacinação contra o HPV
Além do progresso contínuo na imunização infantil de rotina, as Américas permanecem como líder global na vacinação contra o papilomavírus humano (HPV). A cobertura alcançou 71% em 2025, refletindo o compromisso político sustentado e os investimentos na proteção dos adolescentes contra o câncer do colo do útero, a segunda principal causa de morte por câncer entre mulheres em muitos países da Região.
Esse resultado demonstra o que é possível alcançar quando os países priorizam a imunização, ampliam o acesso equitativo às vacinas e desenvolvem programas capazes de proteger as pessoas ao longo de todo o curso da vida.
Manter os avanços exige investimento contínuo
A recuperação da vacinação de rotina nas Américas representa um importante marco para a saúde pública, mas as estimativas mais recentes deixam claro que o trabalho está longe de terminar. Lacunas persistentes na imunidade continuam a deixar comunidades vulneráveis a doenças preveníveis por vacinação, especialmente o sarampo, e ameaçam décadas de avanços conquistados com muito esforço.
A OPAS trabalha em estreita colaboração com os países para fortalecer os programas nacionais de imunização, alcançar crianças que não receberam as vacinas de rotina, ampliar a confiança nas vacinas por meio de uma comunicação clara e baseada em evidências e reforçar os sistemas de vigilância e resposta a surtos. Por meio do Fundo Rotatório da OPAS, a Organização também apoia os países na garantia de acesso oportuno e a preços acessíveis a vacinas de qualidade assegurada, contribuindo para fortalecer os programas de imunização, ampliar as coberturas vacinais e reduzir as lacunas de imunidade.
Manter altas coberturas vacinais em todas as comunidades será essencial não apenas para prevenir futuros surtos, mas também para preservar os avanços em saúde alcançados nas Américas e garantir que todas as crianças se beneficiem da proteção que salva vidas proporcionada pelas vacinas.
Notas aos editores:
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Acesse os dados da OMS (em inglês): painel global, perfis dos países e recursos adicionais.
Acesse os dados do UNICEF (em inglês): página de visão geral, conjuntos de dados completos, visualização de dados, visualização de dados regionais e perfis dos países.
As estimativas WUENIC, incluindo os dados históricos, são revisadas anualmente à medida que novos dados dos países se tornam disponíveis. Por isso, os números apresentados nesta divulgação não devem ser comparados aos publicados em relatórios de anos anteriores.
Com base nos dados informados pelos países, as estimativas de cobertura nacional de imunização da OMS e do UNICEF (WUENIC) constituem o maior e mais abrangente conjunto de dados do mundo sobre tendências de imunização para vacinas contra 13 doenças administradas por meio dos serviços regulares de saúde — normalmente em unidades de saúde, centros comunitários, serviços de vacinação extramuros ou durante visitas de profissionais de saúde. Em 2025, foram disponibilizados dados de 185 países.
A OMS e o UNICEF trabalham em parceria com a Gavi, a Aliança para Vacinas, e outros parceiros para implementar a Agenda de Imunização 2030 (IA2030), uma estratégia voltada a todos os países e parceiros globais relevantes para alcançar metas de prevenção de doenças por meio da imunização e garantir o acesso às vacinas para todas as pessoas, em todos os lugares e em todas as idades.
