Países das Américas impulsionam agenda conjunta sobre governança, financiamento e redes integradas para fortalecer atenção primária à saúde

Foto de grupo com autoridades e delegações participantes do Encontro Regional de Redes.
OPAS/OMS/Karina Zambrana
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Brasília, 2 de setembro de 2026 (OPAS) –  Autoridades de saúde e delegações de 16 países das Américas participam, a partir desta quarta-feira (2/9), do primeiro encontro conjunto da Rede sobre Funções Essenciais de Saúde Pública (RedFESP), da Rede de Fundos Nacionais de Saúde das Américas (REFSA) e da Rede Impulsionadora das Redes Integradas de Serviços de Saúde (Impulsa-RISS). As três plataformas regionais de cooperação técnica, lideradas pelos países com o acompanhamento da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), trabalham para articular a governança, o financiamento e a prestação integrada de serviços como pilares de uma atenção primária à saúde (APS) integral. 

O encontro é organizado pela OPAS, em coordenação com o Ministério da Saúde do Brasil, país anfitrião. A iniciativa reúne ministros, vice-ministros, secretários, diretores nacionais e equipes técnicas da Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Suriname, Uruguai e Venezuela, além de membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de parceiros estratégicos da cooperação internacional, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Autoridades en la apertura del encuentro regional de redes

Na abertura do encontro, James Fitzgerald, diretor do Departamento de Sistemas e Serviços de Saúde da OPAS, destacou que o fortalecimento dos sistemas de saúde com base na atenção primária constitui um dos eixos centrais da cooperação técnica da Organização. Também ressaltou a importância de articular as funções essenciais de saúde pública, as redes integradas de serviços de saúde e o financiamento para avançar rumo à saúde universal na Região. “Este é o momento de debater esses temas de forma conjunta”, afirmou, ao convidar os países a aproveitarem o espaço de diálogo e intercâmbio de experiências. 

Nesse contexto, o encontro representa uma oportunidade para fortalecer a cooperação entre os países e promover o intercâmbio de experiências voltadas à implementação da APS.“Precisamos aprofundar a compreensão sobre a complexidade dos nossos sistemas de saúde na América Latina e no Caribe e ampliar a cooperação entre nossos países para fortalecer sistemas de saúde verdadeiramente universais e integrais, tendo a atenção primária como base estrutural”, afirmou Adriano Massuda, secretário-executivo do Ministério da Saúde do Brasil. 

Ao destacar a relevância deste primeiro espaço conjunto entre as três redes, Cristian Morales Fuhrimann, representante da OPAS e da OMS no Brasil, assinalou que elas abordam dimensões fundamentais e complementares para o fortalecimento dos sistemas de saúde. “A transformação dos sistemas de saúde exige articular a governança, o financiamento e a organização integrada dos serviços, tendo a atenção primária à saúde como perspectiva, filosofia e estratégia fundamental para orientar essa transformação”, afirmou.

Ao longo de três dias, as delegações abordarão temas como a avaliação e a melhoria contínua das Funções Essenciais de Saúde Pública (FESP), mecanismos de compra estratégica, regionalização territorial, saúde digital e organização operacional das Redes Integradas de Serviços de Saúde (RISS). Também serão apresentados estudos regionais conjuntos e definidas as agendas inter-redes para o biênio 2026-2027. 

Perspectiva das redes regionais 

No painel de apresentação das três redes regionais para o fortalecimento da APS, foi ressaltada a necessidade de ampliar o trabalho conjunto para acelerar a transformação dos sistemas de saúde. “Reunir pela primeira vez essas três redes responde a uma prioridade clara: a APS não se transforma de forma isolada. É necessário que governança, financiamento e prestação de serviços avancem de maneira articulada para fortalecer as capacidades institucionais dos países e transformar políticas em melhorias concretas em cada território”, destacou Ernesto Bascolo, chefe da Unidade de Atenção Primária à Saúde e Prestação Integrada de Serviços da OPAS.  

Autoridades de la redes regionales de APS

As presidências das três redes coincidiram na avaliação de que este primeiro encontro oferece uma oportunidade para transformar conhecimento técnico e experiências dos países em ferramentas práticas para fortalecer os sistemas de saúde.

“O principal desafio não é a ausência de políticas, mas transformá-las em capacidades institucionais, decisões orçamentárias e resultados concretos nos territórios. Nossa rede busca estabelecer essa ponte entre os princípios da APS e sua implementação efetiva”, ressaltou Iritzel Santamaría, presidente da RedeFESP e subdiretora nacional de Planejamento em Saúde do Ministério da Saúde do Panamá.

Por sua vez, Darcio Guedes Junior, presidente da REFSA e diretor do Fundo Nacional de Saúde do Brasil, destacou a necessidade de aprofundar a articulação entre as três redes para que as decisões de financiamento estejam alinhadas às prioridades de saúde e à organização dos serviços. Nesse sentido, ressaltou que “precisamos utilizar o financiamento como uma ferramenta para avançar rumo a sistemas de saúde mais integrais, equitativos e baseados na APS”.

Marcela Cuadrado, presidente da Impulsa-RISS e vice-presidente da Administração dos Serviços de Saúde do Estado (ASSE) do Uruguai, assinalou que as redes integradas constituem o espaço onde convergem as capacidades de direção, as decisões de financiamento e a organização do cuidado. “A integração dos serviços de saúde permite organizar o cuidado nos territórios, fortalecer a continuidade da atenção e responder melhor às necessidades das pessoas e das comunidades”, afirmou.

As três redes foram criadas em 2025 para promover a cooperação técnica entre os países e apoiar a implementação de ações concretas em áreas prioritárias para a APS. Ao longo do último ano, os países participantes desenvolveram planos de trabalho, grupos técnicos, estudos regionais e intercâmbios de experiências que hoje constituem uma base sólida para uma colaboração mais articulada entre as três iniciativas. 

Esta primeira reunião conjunta consolida uma plataforma regional voltada à geração de bens públicos e soluções técnicas aplicadas que fortaleçam a resiliência e a equidade dos sistemas de saúde nas Américas. Além disso, abre novas oportunidades para ampliar a cooperação técnica entre os países em apoio à atenção primária à saúde.

Para consultar a agenda, acompanhar a transmissão ao vivo e obter mais informações sobre o encontro, visite a página do evento.