Novo plano da OPAS busca acelerar eliminação da malária nas Américas nos próximos quatro anos

Malaria test being conducted.

A região registrou cerca de 458 mil casos de malária em 2025, uma redução de 18% em relação a 2020. No entanto, a transmissão persiste e ameaça os avanços rumo à eliminação. O novo Plano de Ação 2026-2030 propõe fortalecer a resposta, incorporar inovações técnicas e aproximar o diagnóstico e o tratamento das comunidades para acelerar a eliminação da doença em mais países e territórios.

Brasília, Brasil, 5 de novembro de 2026 (OPAS) – A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apresentou um novo plano para acelerar a eliminação da malária nas Américas. O Plano propõe fortalecer e transformar a resposta nos próximos quatro anos, aproximando o diagnóstico e o tratamento das comunidades onde a transmissão persiste e incorporando novas ferramentas e metodologias para interrompê-la.

O documento responde à estagnação dos casos em torno de meio milhão por ano e às persistentes barreiras para o acesso oportuno ao diagnóstico e ao tratamento, especialmente em comunidades indígenas, áreas de mineração e locais de difícil acesso. Sem uma resposta mais rápida e focalizada, existe o risco de que a transmissão persista e que se percam oportunidades de avançar rumo à eliminação.

O Plano de Ação para a Eliminação da Malária nas Américas 2026-2030 estabelece como meta reduzir em 50% a incidência da malária até 2030 em relação a 2024, quando foram registrados aproximadamente 537 mil casos. Também busca reduzir em 70% a incidência da malária causada por Plasmodium falciparum, um dos parasitas causadores da doença na região, e avançar na eliminação da enfermidade em países e territórios subnacionais.

No centro da nova abordagem está levar o diagnóstico e o tratamento para mais perto das pessoas. O Plano propõe ampliar o uso de testes de diagnóstico rápido e fortalecer as redes comunitárias de diagnóstico e tratamento, sob a supervisão das equipes de saúde, além de aproveitar ferramentas digitais para facilitar a atenção à saúde e a resposta à doença. Também promove intervenções reativas, ações de quimioprevenção e novas ferramentas para alcançar a cura radical da malária por P. vivax e reduzir as recaídas. Essas medidas permitirão orientar melhor as intervenções, responder com maior rapidez a novos casos e concentrar os esforços nas comunidades e territórios onde podem gerar maior impacto.

“As Américas demonstraram que eliminar a malária é possível. O desafio agora é acelerar o progresso e garantir que cheguemos às comunidades onde a transmissão persiste e onde as barreiras de acesso aos serviços de saúde são maiores. Levar o diagnóstico e o tratamento para mais perto das pessoas, juntamente com o compromisso político e os recursos necessários, será fundamental para avançarmos rumo à malária zero”, afirmou o diretor do Departamento de Prevenção, Controle e Eliminação de Doenças Transmissíveis, Sylvain Aldighieri.

Embora vários países tenham alcançado avanços importantes, o progresso regional tem sido desigual. Entre 2015 e 2025, os casos diminuíram 4,6%, passando de 480 mil para aproximadamente 458 mil. Em 2025, 86% dos casos foram registrados na América do Sul, principalmente na bacia amazônica e na costa do Pacífico da Colômbia. Brasil, Colômbia e Venezuela concentraram conjuntamente 74% dos casos da região.

A malária também reflete importantes desigualdades no acesso à saúde. Muitas das comunidades mais afetadas estão localizadas em áreas remotas e de difícil acesso, onde as distâncias, os custos de transporte e outras barreiras dificultam o diagnóstico e o tratamento oportunos.

A transmissão também está fortemente concentrada: 22 municípios de seis países registraram mais de 4 mil casos em 2025 e registraram 43% de todos os casos de malária nas Américas. Apenas oito municípios representaram 25% do total. Essa concentração oferece uma oportunidade para direcionar recursos e intervenções aos locais onde podem contribuir mais diretamente para interromper a transmissão.

A esses desafios soma-se a necessidade de garantir recursos suficientes e sustentáveis para avançar rumo à eliminação da malária. O Plano chama os países a aumentarem ou, no mínimo, manterem o financiamento nacional e a buscarem mecanismos que permitam sustentar as intervenções no longo prazo. Sem um compromisso financeiro contínuo, será difícil ampliar as ações de prevenção, diagnóstico e tratamento e alcançar as comunidades onde a transmissão persiste.

Apesar desses desafios, as Américas demonstraram que a eliminação é possível. Desde 2018, cinco países foram reconhecidos como livres da malária: Argentina, Paraguai, El Salvador, Belize e Suriname. Em 2025, o Suriname tornou-se também o primeiro país da bacia amazônica a eliminar a doença. As mortes também diminuíram cerca de 20%, passando de 169 em 2015 para 115 em 2025.

Do controle à eliminação

O Plano também propõe utilizar a vigilância como uma intervenção para a eliminação, de modo que a detecção de casos permita investigá-los e responder rapidamente para prevenir novas infecções. Também prevê a otimização do controle vetorial, a adaptação das intervenções às condições de cada território e a consolidação progressiva de áreas subnacionais livres de malária.

“Muitas das pessoas mais afetadas pela malária vivem longe dos serviços de saúde. Se quisermos interromper a transmissão, uma pessoa com sintomas deve poder fazer um teste rapidamente e, se estiver com malária, iniciar o tratamento sem demora. A mudança consiste em disponibilizar diagnóstico e tratamento onde estão as pessoas e as comunidades afetadas”, destacou Roberto Montoya, assessor regional da OPAS para malária.

A publicação do Plano coincide com a Reunião Regional sobre a Eliminação da Malária nas Américas, realizada em Brasília de 4 a 6 de novembro, reunindo autoridades de saúde, responsáveis pelos programas de malária dos países endêmicos, especialistas e parceiros.

Durante os três dias, os participantes analisam os desafios e as oportunidades para acelerar a eliminação, trocam experiências e soluções operacionais para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento e exploram inovações e novas oportunidades de cooperação entre os países.

Em 6 de novembro, no encerramento da reunião, a OPAS celebrará o Dia da Malária nas Américas, sob o lema “Zero Malária nas Américas”, com um evento regional com transmissão aberta ao público.