Investir em saúde deve ser uma de nossas decisões mais fáceis, afirma diretora da OPAS aos delegados na Cúpula das Américas

8 Jun 2022
Vaccination in the field

Los Angeles, 8 de junho de 2022 (OPAS) – Em um evento que reuniu o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, e os ministros das Relações Exteriores, Economia e Saúde da região, a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne, fez um chamado a aumentar os investimentos em saúde após a COVID-19.

“Nunca antes a defesa do investimento na saúde e na economia da saúde foi feita de forma tão clara, e as consequências do subinvestimento foram apresentadas de forma tão dura”, disse Etienne. Acrescentou que a saúde é fundamental para “tudo o que os países de nossa região desejam para seu futuro”, incluindo prosperidade econômica e “oportunidades ilimitadas para todos os cidadãos”.

Organizado pelo Departamento de Estado dos EUA, o evento de 7 de junho marcou o lançamento do Diálogo Econômico e de Saúde das Américas – uma iniciativa de governo a governo para coordenar ações nos ministérios da Saúde e Finanças para enfrentar os desafios expostos e exacerbados pela pandemia.

O evento foi organizado pelo subsecretário de Crescimento, Energia e Meio Ambiente dos EUA, José Fernandez, e contou com a participação de Luis Almagro, secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), bem como dos ministros das Relações Exteriores, Saúde e Finanças da Colômbia, Equador, Guatemala e Panamá, entre outros representantes de alto nível.

A diretora da OPAS lembrou que as Américas foram o epicentro da pandemia, com 157 milhões de casos e mais de 2,7 milhões de vidas perdidas para a COVID-19. "Nenhuma comunidade ficou intocada", disse Etienne. “Nossos sistemas de saúde, sociais e econômicos foram levados ao limite de sua capacidade.”

Etienne destacou que os sistemas de saúde pouco preparados lutaram com o aumento constante de casos, mesmo após uma injeção massiva de recursos. Quando a COVID-19 atingiu a região, disse, os países lutaram para “superar deficiências sistêmicas de longa data, resultado de reformas mal concebidas do setor de saúde e a falta de atenção política à saúde ao longo de décadas”.

A diretora da OPAS recebeu com satisfação o lançamento do Diálogo e agradeceu aos Estados Unidos “por convocar este Fórum e iniciar esta importante deliberação sobre o futuro das Américas, onde tenhamos sistemas de saúde mais fortes e resilientes”.

No futuro, a diretora da OPAS afirmou que os países precisarão sustentar o investimento para garantir que os sistemas de saúde estejam “equipados para responder a esta e a novas ameaças quando surgirem”. Para isso, seria fundamental aumentar os gastos em saúde além dos atuais 3,7% do PIB, “para atingir a meta recomendada pela OPAS, de 6% do PIB, e não apenas nos anos de crise”.

Em seu discurso de abertura, o secretário Antony Blinken disse estar “satisfeito em ver tanta solidariedade entre todos os nossos colegas e todos os nossos vizinhos” nesta importante iniciativa. Afirmou que a COVID-19 revelou “graves desigualdades na maneira como a atenção à saúde é fornecida, distribuída e disponibilizada às pessoas” e que “queremos levar essa lição a sério”.

Uma plataforma para ajudar os países a compartilhar lições e se unir em áreas-chave para fortalecer os sistemas de saúde “teria um impacto forte e poderoso na vida de todos os nossos cidadãos”, pontuou o secretário de Estado dos EUA.