Saúde mental deve estar no topo da agenda política pós-COVID-19, diz relatório da OPAS

9 Jun 2023
woman and baby
9 Jun 2023

O documento destaca que a situação da saúde mental, que historicamente representa um grande ônus de incapacidade e mortalidade na região, foi exacerbada pela pandemia.

Washington D.C., 9 de junho de 2023 (OPAS) - O diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa, pediu hoje aos líderes e tomadores de decisão que garantam que a saúde mental seja colocada no topo das agendas políticas e integrada a todos os setores e políticas, a fim de enfrentar o agravamento das condições de saúde mental nas Américas devido à pandemia da COVID-19.

"A saúde mental dos povos das Américas foi gravemente afetada pela pandemia da COVID-19 e por seus efeitos em nossas vidas, economias e sociedades", disse Jarbas Barbosa na coletiva de imprensa que lançou o relatório Nova Agenda para a Saúde Mental nas Américas, preparado pela Comissão de Alto Nível da OPAS sobre Saúde Mental e COVID-19.

A saúde mental é historicamente uma fonte significativa de incapacidade e mortalidade nas Américas, sendo responsável por quase um terço de todos os anos vividos com uma incapacidade. A pandemia da COVID-19 aumentou ainda mais os fatores de risco para problemas de saúde mental, incluindo desemprego, insegurança financeira, luto e perdas.

Apesar do alto nível de problemas de saúde mental na região, a grande maioria das pessoas com um problema de saúde não recebe os cuidados de que precisa. Em 2020, mais de 80% das pessoas com um problema grave de saúde mental, incluindo psicose, não receberam tratamento.

O diretor da OPAS destacou que a falta de acesso ao cuidado se deve a uma variedade de fatores que antecedem a pandemia, incluindo: baixo investimento, apenas 3% dos orçamentos de saúde dos países são alocados para a saúde mental; dependência de hospitalização de longa permanência quando a maioria dos problemas de saúde mental pode ser resolvida na comunidade; escassez crônica de trabalhadores de saúde mental capacitados; e acesso reduzido a serviços para aqueles que vivem em situações de vulnerabilidade.

Para abordar essas questões, a OPAS criou em maio de 2022 a Comissão de Alto Nível sobre Saúde Mental e COVID-19. A Comissão, composta por 17 especialistas de governos, sociedade civil, academia e pessoas com experiências vivenciadas em saúde mental, produziu um relatório com orientações para a OPAS sobre como promover a saúde mental na região durante e após a pandemia.

O relatório da Comissão, Uma Nova Agenda para a Saúde Mental na Região das Américas, fornece aos países dez recomendações para melhorar a atenção à saúde mental:

  • Elevar a saúde mental em nível nacional e supranacional.
  • Integrar a saúde mental em todas as políticas.
  • Aumentar a quantidade e melhorar a qualidade do financiamento para a saúde mental.
  • Garantir os direitos humanos das pessoas que vivem com problemas de saúde mental.
  • Promover e proteger a saúde mental ao longo de todo o ciclo de vida.
  • Melhorar e expandir os serviços e cuidados de saúde mental baseados na comunidade.
  • Fortalecer a prevenção ao suicídio.
  • Adotar uma abordagem transformadora de gênero para a saúde mental.
  • Abordar o racismo e a discriminação racial como um dos principais determinantes da saúde mental.
  • Melhorar os dados e as pesquisas sobre saúde mental.

"Investir em saúde mental é fundamental para promover o desenvolvimento humano equitativo e sustentável para que todos possam viver com bem-estar e dignidade", disse Epsy Campbell Barr, presidente da Comissão e ex-vice-presidente da Costa Rica. "Devemos nos lembrar de que o ônus da saúde mental não é uma luta particular, mas uma crise de saúde pública que exige ação urgente e imediata.

"Hoje não lançamos apenas um relatório; lançamos um farol de esperança, um roteiro para a mudança na forma como vemos, tratamos e priorizamos a saúde mental nas Américas. Agora está em nossas mãos mudar a forma como abordamos a saúde mental, especialmente em uma crise global que a afetou profundamente", acrescentou Nestor Mendez, co-presidente da Comissão e diretor geral adjunto da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Saúde mental nas Américas

  • Quase um terço de todos os anos vividos com deficiência (YLD) e um quinto dos anos de vida ajustados por deficiência (DALYs) são causados por doenças mentais, doenças neurológicas, uso de substâncias e suicídio.
  • Os transtornos depressivos e de ansiedade são a terceira e a quarta principais causas de deficiência.
  • O álcool é responsável por 5,5% de todas as mortes nas Américas.
  • As Américas são a segunda região com maior consumo de álcool no mundo.
  • O suicídio tira a vida de quase 100 mil pessoas por ano na região.
  • A taxa regional de suicídio ajustada por idade aumentou em 17% entre 2000 e 2019.
  • Oito em cada dez pessoas com uma doença mental grave não recebem tratamento.
  • Em 2020, durante a pandemia da COVID-19, os transtornos depressivos graves aumentaram em 35% e os transtornos de ansiedade em 32%.
  • 65% dos países relataram interrupções nos serviços essenciais de saúde mental e uso de substâncias em 2020. Esse índice caiu para 14% no início de 2023.