Washington, D.C., 15 de junho de 2026 (OPAS) — O Comitê Executivo da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) iniciou nesta segunda-feira (15/6) sua 178ª sessão, na qual os Estados Membros abordarão as principais prioridades de saúde da região, em um contexto marcado por desafios no financiamento e na resposta a emergências de saúde.
Durante quatro dias, delegados debaterão medidas para fortalecer a preparação para emergências sanitárias, combater a resistência aos antimicrobianos e as arboviroses, melhorar a segurança dos alimentos e ampliar o acesso a tecnologias de saúde. Também examinarão a situação financeira da Organização e os avanços em seus planos estratégicos e orçamentários.
“Esta reunião do Comitê Executivo proporciona uma plataforma valiosa para moldar a abordagem da Organização para enfrentar esses desafios e, em última instância, melhorar os resultados de saúde em toda a região”, afirmou o diretor da OPAS, Jarbas Barbosa, em suas palavras de abertura.
Barbosa destacou o trabalho da OPAS para apoiar os países no fortalecimento da atenção primária à saúde, no impulsionamento à transformação digital, na prevenção e no controle de surtos de doenças como febre amarela, sarampo e dengue, e na redução de mortes evitáveis por doenças crônicas não transmissíveis. Também ressaltou a necessidade de melhorar os indicadores de saúde materna, neonatal e infantil e de enfrentar o crescente ônus das condições de saúde mental.
O diretor da OPAS destacou a importância de reforçar a vigilância, a cobertura vacinal e a capacidade de resposta diante de surtos de sarampo, especialmente em um contexto em que Estados Unidos, Canadá e México sediam a Copa do Mundo da FIFA 2026. Assinalou que a Organização está em coordenação com esses países para fortalecer a preparação e a resposta ao aumento da mobilidade internacional.
Situação financeira e agenda estratégica
Um aspecto central de sua intervenção foi a situação financeira da Organização. Barbosa indicou que, apesar de uma redução de 19% no orçamento aprovado, dos esforços de priorização, dos cortes e da mobilização de contribuições voluntárias adicionais, a OPAS enfrenta uma lacuna de financiamento de 138 milhões de dólares em seus programas básicos para o biênio em curso, equivalente a 20% do orçamento aprovado. Acrescentou que atualmente há aproximadamente 179 milhões de dólares em contribuições pendentes de pagamento.
“Neste contexto, é fundamental destacar que o pagamento oportuno e integral das contribuições por parte dos Estados Membros é essencial para sustentar a cooperação técnica eficaz com os países e as operações essenciais da Organização”, afirmou. “O pagamento de suas contribuições fixas nos permitirá continuar com a implementação das prioridades acordadas, além de reduzir a incerteza e a dependência de fundos de doadores com destinação específica.”
Barbosa afirmou que a Organização eliminou 220 postos em diferentes níveis, buscando preservar as atividades técnicas e os escritórios nos países. Também destacou medidas de contenção de gastos, como a redução de viagens, a restrição na contratação, a ampliação do uso de plataformas virtuais e ações para fortalecer a transparência e a prestação de contas, incluindo a publicação de relatórios de auditoria interna e avaliações externas.
Estratégias para fortalecer a saúde na região
Com foco no futuro, os Estados Membros analisarão uma nova estratégia para fortalecer a gestão do risco e as emergências de saúde em prol da segurança sanitária 2026–2031, orientada ao fortalecimento das capacidades de preparação e resposta.
O Comitê também examinará um plano de ação sobre resistência aos antimicrobianos 2027–2031, assim como uma estratégia integrada para a prevenção e o controle das arboviroses 2026–2035, além de uma estratégia e plano de ação sobre segurança dos alimentos 2026–2031.
Outro tema-chave é a proposta de fortalecimento e alinhamento dos Fundos Rotatórios Regionais da OPAS em um mecanismo único e autossustentável, para melhorar a eficiência, a flexibilidade e o acesso a tecnologias de saúde na região.
Além disso, os Estados Membros receberão atualizações sobre a implementação do Regulamento Sanitário Internacional (RSI) e sobre a iniciativa OPAS Avante, voltada a melhorar a eficiência dos processos administrativos e reduzir custos.
“O poder do panamericanismo é tão forte hoje quanto era há mais de um século, e acredito que é uma das chaves para construir um futuro mais saudável e promissor para nossa região”, destacou Barbosa. “Acima de tudo, o panamericanismo reflete nosso compromisso inabalável com a saúde para todos. Devemos ser incansáveis para garantir que cada pessoa, família e comunidade nas Américas tenha uma oportunidade equitativa de viver uma vida saudável”, acrescentou.
O Comitê Executivo é composto por nove Estados Membros eleitos por períodos escalonados de três anos e atua como órgão de trabalho dos Órgãos Diretivos da OPAS. Suas deliberações contribuirão para a formulação de propostas que serão consideradas por todos os países durante o Conselho Diretor, em setembro.
