Brasília, 20 de março de 2026 – Com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o Brasil se tornou o mais novo afiliado da Rede Global de Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesta sexta-feira (20/3), a ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo, recebeu das mãos do representante da OPAS e da OMS no país, Cristian Morales, o certificado de adesão à iniciativa. Com isso, o Brasil reafirma o compromisso de garantir às pessoas idosas espaços físicos e sociais adaptados para um envelhecimento digno e saudável.
Thiago Hérick de Sá, responsável pela área de Ambientes Amigos das Pessoas Idosas do Departamento de Determinantes Sociais da Saúde da OMS, afirmou que a adesão do Brasil à Rede Global é um marco histórico. “Esse compromisso eleva a agenda a um novo patamar, reforçando muitas das ações já desenvolvidas na construção de ambientes em que todos e todas possam viver mais e melhor.” Segundo Sá, ao integrar a iniciativa, o país assume uma posição de destaque global. “O Brasil tem um potencial único de inspirar o mundo, conta com uma população que envelhece rapidamente, o que significa que as pessoas vivem mais no país, um fato realmente a se celebrar, e garantir que se continue nessa direção”, acrescentou.
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, enfatizou que a participação do Brasil na Rede Global expressa de forma concreta o compromisso do país com a dignidade, a participação e a autonomia das pessoas idosas. “Para efetivamente garantirmos dignidade a todas as pessoas idosas, precisamos fazer isso de uma maneira articulada, integrada, intersetorial, interdisciplinar, mas principalmente em uma articulação transnacional, porque nós sabemos que as políticas que fazemos têm impacto direto na redução das desigualdades. E se há uma coisa hoje que tensiona a qualidade de vida das pessoas idosas é a desigualdade.”
O Brasil já possui quase 36 milhões de pessoas idosas, lembrou Alexandre da Silva, secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa. “É o grupo etário que mais cresce no nosso país e isso se deve muito às políticas públicas e, em destaque, aos Sistema Único de Saúde (SUS) e Sistema Único de Assistência Social (SUAS). O Brasil, dessa forma, continua com sua proposta de inovação, trazendo mais ações, e serve também de exemplo para outros países sobre como podemos fazer políticas assertivas com efetividade para milhões de pessoas idosas.”
De acordo com Cristian Morales, o país tem enfrentado novos desafios com a inversão da pirâmide populacional. “Sabemos que o mundo está envelhecendo rapidamente e, no Brasil, assim como na totalidade dos países das Américas, esse processo é extremamente acelerado. Em 2039, teremos mais pessoas com mais de 60 anos do que crianças e adolescentes com menos de 15 anos”, pontuou. Por isso, a afiliação do país à Rede Global com o compromisso renovado de construir um mundo melhor, mais saudável e sustentável para pessoas idosas é uma importante decisão política. Segundo ele, para lidar com essa questão é necessário um novo olhar para as políticas públicas nos mais diferentes setores, como direitos humanos, saúde, assistência social, educação, segurança, previdência, esporte e cultura.
Também compuseram a mesa Fabiana Damásio, diretora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Brasília; Dolores Moreira, da Rede Nacional dos Gestores Estaduais e Distrital dos Direitos Humanos da Pessoa Idosa; e Arilda de São Sabbas, do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa.
Mais informações sobre a Rede Global de Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas
Os membros afiliados da Rede Global inspiram transformações, conectam cidades e comunidades e apoiam os participantes na identificação e implementação de soluções adequadas às realidades locais. A iniciativa tem como objetivo incentivar a criação de ambientes que promovam a participação, a segurança e o bem-estar das pessoas idosas, além de estimular a troca de experiências e o apoio mútuo entre cidades e comunidades.
“A região das Américas é a líder na Rede Global, com mais de mil cidades e comunidades em 18 países, representando mais da metade dos membros da Rede. Essa liderança evidencia o crescente compromisso dos países da nossa região com os objetivos da Década de Envelhecimento Saudável”, ressaltou James Fitzgerald, diretor do Departamento de Sistemas e Serviços de Saúde da OPAS. A afiliação do Brasil, segundo ele, reflete o compromisso do país com o envelhecimento saudável e com a construção de ambientes mais inclusivos para todas as pessoas ao longo do curso de vida.
Atualmente, o Brasil conta com 69 cidades certificadas como Amigas da Pessoa Idosa pela OMS. Além do Rio de Janeiro, o estado do Paraná integra a Rede Global como membro afiliado. No total, a Rede reúne 1.739 cidades e comunidades membros em 57 países e territórios. Nas Américas, 1.009 cidades, em 18 países e territórios, já aderiram ou estão em processo de adesão.
