A iniciativa permitirá fortalecer a coordenação entre os membros da aliança quadripartite global nas Américas (FAO, OMSA, OPAS/OMS e PNUMA) e parceiros regionais (IICA e OIRSA) para trabalhar e apoiar países diante de ameaças sanitárias que afetam simultaneamente as pessoas, os animais, as plantas e o meio ambiente sob a abordagem de “Uma Só Saúde”.
6 de julho de 2026 (PANAFTOSA/SPV-OPAS/OMS) – A cada 6 de julho, a comunidade internacional celebra o Dia Mundial das Zoonoses, com o objetivo de conscientizar sobre o risco de transmissão de doenças entre animais e pessoas e como promover práticas para preveni-las.
Cerca de 60% das doenças infecciosas humanas conhecidas são de origem zoonótica e aproximadamente 75% das doenças infecciosas emergentes em seres humanos provêm de animais domésticos ou silvestres.
Da mesma forma, estima-se que a resistência aos antimicrobianos (RAM) cause 1,27 milhão de mortes diretas por ano em todo o mundo e esteja associada a cerca de 5 milhões de mortes indiretas. As doenças transmitidas por alimentos provocam 1,5 milhão de mortes anualmente, sendo 78 mil delas na Região das Américas.
Esses números evidenciam a necessidade de articular uma abordagem intersetorial para essas e outras ameaças sob uma perspectiva integrada, abrangendo saúde humana, saúde animal e conservação do meio ambiente.
Nesse contexto, a aliança quadripartite, composta pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), juntamente com parceiros regionais como o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e o Organismo Internacional Regional de Sanidade Agropecuária (OIRSA), firmou nesta segunda-feira (6/7) uma Declaração Conjunta para fortalecer sua coordenação sob a abordagem de “Uma Só Saúde” nas Américas.
A declaração faz um chamado à ação coordenada diante das ameaças em saúde, incluindo doenças zoonóticas, riscos à segurança dos alimentos e impactos associados às mudanças climáticas, à perda de biodiversidade, à poluição ambiental, à degradação dos ecossistemas e à resistência aos antimicrobianos.
“Os desafios sanitários enfrentados pela região nos últimos anos evidenciaram a importância das alianças estratégicas e do trabalho conjunto para alcançar resultados sustentáveis, como as ações que estamos realizando diante da influenza aviária e da mosca-da-bicheira no gado na região, contribuindo para proteger os meios de subsistência de milhares de famílias produtoras. Com esta assinatura, damos mais um passo para fortalecer a cooperação regional e a ação coordenada para avançar na implementação de Uma Só Saúde”, destacou Rene Orellana Halkyer, subdiretor-geral e Representante Regional da FAO para a América Latina e o Caribe.
“Os sistemas de saúde animal são parte fundamental da primeira linha de defesa contra surtos de doenças, particularmente aquelas com potencial pandêmico. No entanto, o último relatório da OMSA sobre o estado da saúde animal no mundo mostra que continuam sendo insuficientemente financiados. A abordagem Uma Só Saúde só alcançará todo o seu potencial se a saúde animal for plenamente integrada ao planejamento e aos investimentos públicos. Nas Américas, a OMSA tem promovido há anos essa abordagem integrada, defendendo um maior reconhecimento do papel da saúde animal. Esta declaração é um marco para a região ao reafirmar o compromisso de enfrentar de forma mais eficaz os desafios compartilhados”, afirmou Francisco D’Alessio, representante regional da OMSA para as Américas.
A declaração destaca que as Américas contam com uma sólida trajetória de cooperação intersetorial em saúde pública, saúde animal, agricultura e meio ambiente. No entanto, reconhece que é necessário fortalecer ainda mais a coordenação entre organizações internacionais, governos, academia, sociedade civil e setor privado para responder de forma eficaz aos desafios atuais e futuros.
“Para a OPAS, a abordagem de Uma Só Saúde é uma prioridade estratégica e um componente essencial da saúde pública nas Américas para enfrentar de forma integrada os riscos sanitários atuais e emergentes. Durante décadas, essa abordagem tem orientado a cooperação técnica da OPAS, por meio dos programas de doenças transmissíveis com um componente-chave na interface entre humanos e animais, da segurança dos alimentos, da resistência aos antimicrobianos e da saúde pública ambiental, especialmente por meio do trabalho de nosso centro regional de Saúde Pública Veterinária, a PANAFTOSA, e da Política de Uma Só Saúde da OPAS, que neste ano completa cinco anos de implementação”, afirmou Jarbas Barbosa, diretor da OPAS.
Por sua vez, o representante e diretor para a América Latina e o Caribe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Juan Bello, declarou: “Para o PNUMA, a abordagem Uma Só Saúde é fundamental para enfrentar de maneira integral os desafios ambientais e sanitários na América Latina e no Caribe, ao destacar a conexão entre a saúde humana, animal e ambiental. Diante de ameaças planetárias como as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e a poluição, Uma Só Saúde promove a resiliência dos sistemas naturais, priorizando ações preventivas em vez de reativas no âmbito ambiental. Além disso, fortalece a cooperação regional tanto para abordar as dimensões ambientais da resistência aos antimicrobianos quanto para reduzir o risco de doenças zoonóticas com potencial pandêmico, em consonância com a Agenda 2030.”
O objetivo desta declaração conjunta é mobilizar organizações, redes e atores-chave para fortalecer a troca de informações e a colaboração regional. Além disso, busca apoiar os Estados Membros da Região na priorização e implementação de ações, por meio de maior coordenação, colaboração intersetorial e estabelecimento de parcerias público-privadas em matéria de governança, marcos legislativos, desenvolvimento organizacional e fortalecimento de capacidades, bem como no intercâmbio de dados, evidências e conhecimentos.
Com esta declaração, as organizações reafirmam seu compromisso de promover respostas coordenadas frente a ameaças sanitárias que transcendem setores e fronteiras, contribuindo para a proteção da saúde das pessoas, dos animais e dos ecossistemas nas Américas.
